Não sou nem fui muito fã de
Ozzy Osbourne,
Black Sabbath e Os Osbournes, mas estava lendo uma entrevista com o sujeito na Folha de São Paulo (Caderno Mais, de 08 de julho de 2007) e achei algumas idéias do cara bem interessantes.
Alguns trechos:
Mas a única indicação real dos excessos que praticou com as drogas é um bizarro ruído que ele emite ao começar e encerrar suas sentenças, uma espécie de ronco, como se ele tivesse acabado de despertar de um sono profundo ou tivesse acabado de receber uma injeção que vai provocar esse tipo de sono.
Ozzy se opõe à guerra? "A questão é, antes, que não compreendo a guerra", afirma. "Se você está de um lado e eu do outro, e você e eu terminamos mortos, nós dois perdemos. Eu imaginava que as pessoas tivessem aprendido, que a humanidade tivesse aprendido."... "Mas não vou me transformar num desses ecologistas escrotos que circulam com cartazes pedindo o fim da guerra. Não é a minha cara."
"Black Rain" não é só o primeiro álbum de estúdio de Ozzy em seis anos como o primeiro em toda a sua carreira que ele gravou completamente sóbrio.
"Eu costumava acreditar que bebidas e drogas ajudavam a criar o clima para uma canção. Maior bobagem."
"Você sabe, quando aparece uma canção no rádio e você se lembra da menina com que saía ou algo assim. A canção faz com que você recorde o cheiro, a aura, de uma era. Isso foi uma parte muito esclarecedora de minha vida, e os Beatles tiveram um grande papel nisso. Eles colocaram meus sonhos em movimento".
Ozzy sorri, com um ar meditativo. "E, como pulei disso para o Black Sabbath, não faço idéia".
Uma coisa pela qual os primeiros discos do Black Sabbath levam crédito é por terem aniquilado o "flower power". "Nós morávamos em Birmingham", diz Ozzy. "Chovia sem parar. Não tínhamos dinheiro para comprar sapatos. E eu pensava que aquela merda ia durar o resto da minha vida. Aí, ligava o rádio e alguém vinha com (Ozzy canta) "if you go to San Francisco, be sure to wear a flower in your hair". Eu pensava que aquilo era a maior besteira, e a única flor que eu usaria estaria no meu túmulo."
"Fui processado porque minhas músicas supostamente continham mensagens subliminares, frases que podiam ser ouvidas caso o disco fosse girado na direção oposta." Ozzy parece indignado. "Eu mal consigo gravar as coisas na ordem certa".
Ele balança a cabeça, com descrença. "Quero dizer, não seria muito bom para a minha carreira se todo mundo que compra meus discos se suicidasse, não é?"
Não consigo imaginar como ele seria sob efeito do ácido. "Você não ia querer ver. Havia uns cavalos no campo, e eles conversavam comigo."
Outra dessas lendas conta que ele cafungou uma fileira de formigas, em uma festa com a banda Mötley Crüe. Mas foi o "incidente do morcego" que realmente conquistou lugar na imaginação do público.
Ozzy achou que o animal fosse um brinquedo de pelúcia, quando ele foi arremessado ao palco, e arrancou sua cabeça com uma mordida; terminou no hospital, tomando uma injeção para se prevenir contra a hidrofobia.
Ele sabia o que ele estava fazendo? "Bem, eu sabia, mas o maldito morcego, não."
Pouco antes de deixar o hotel, revela que, talvez porque nunca tenha aprendido a tocar um instrumento, sempre imaginou que parte de seu trabalho fosse agir como "o palhaço louco".
"Fazer coisas absurdas. Uma noite, em Hamburgo, pintei o rosto de púrpura e não percebi que era tinta indelével. Por isso, tive de andar pela cidade por três dias com a cara púrpura."
Mas será que Ozzy realmente lamenta alguma coisa sobre os momentos mais alucinados de seu passado -as drogas, a loucura, o tumulto? "Todo mundo tem esqueletos no armário, coisas sobre as quais pensa que, se alguém descobrir, estamos ferrados."
Acredita em destino? "Sim." Em Deus? "Acredito em um poder superior." Como o budismo? "Não. Experimentei meditação transcendental uma vez, mas me entediei e fumei um baseado."
"É como eu disse um dia desses", ele continua. "Tudo que aconteceu foi uma viagem impressionante, para mim. Consigo me lembrar claramente do que sentia sentado à soleira da porta em Aston, sonhando ser um Beatle. E agora estou aqui, aos 58, e na festa de Elton."