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Nunca fui um fanático pelos produtos da Apple. Na medida do possível, sempre me mantive imune às jogadas de marketing de Mr. Steve Jobs e aos argumentos infalíveis dos macmaníacos. Não estou vangloriando a Microsoft, nem sou geek de ficar usando e testando Linux. Nem por isso também deixei de ver com bons olhos os produtos de cada um. iPhone? Não, não é necessariamente meu sonho de consumo.
Pois bem, como meu cunhado e minha cunhada vinham pro Brasil da Dinamarca, tive a oportunidade de pedir algo de lá. A princípio pensei no Nintendo Wii, mas padrões europeus e brasileiros eram meio incompatíveis (nada que um bom desbloqueio não funcione, mas preferi não arriscar, devido à sistema de cores, chip, etc... que eu estava meio em dúvida sobre compatibilidade). Então, vendo mais como um bom negócio e como não estou com som no carro, pedi um iPod.
Qual iPod? Lá vou eu pro site da Apple. Shuffle, Nano, Classic, Touch. Até então nunca tinha me aprofundado sobre esses "tocadores" de música.
Shuffle, pequeno no tamanho (muito bom), pequeno na capacidade e sem visor :(
Nano, pequeno no tamanho (muito bom), várias cores (tanto faz), capacidade mais ou menos...
Classic, tamanho não muito pequeno, capacidade grande de armazenamento (80 ou 160gb).
Touch, tecnologia impressionante do "toque na tela", conexão com internet ("não, ainda não me escravizei à internet a ponto de querer acessá-la de um bar, shopping, restaurante"), mas com capacidade de armazenamento menor que o Classic. E o preço bem mais caro também.
Pelo preço, armazenamento, pedi um Classic de 80gb (achei o suficiente, o de 160gb tinha um preço bem mais alto e eu não achei que necessitasse de tanto), R$ 650,00. O design do produto e da caixinha (assim como todos os produtos Apple) são impecáveis. A estética pra Apple parece ser o primeiro item do desenvolvimento. Tamanho razoável, capacidade monstro pra mim (há quem ache ser insuficiente 80gb).
Instalei o iTunes e aí comecei a me divertir. Pra tocar música eu usava o bom e velho Winamp. Era o bastante pra mim, tocar música. Aí comecei a organizar as músicas (centenas) que estavam jogadas em uma pasta do meu computador. Algumas muuito velhas, cujos ID3 simplesmente estavam uma zona. Reconhecia as músicas apenas pelo nome do arquivo. Comecei a organizar: nome da música, banda, álbum, ano, gênero... nada de track01, track02, untitled, etc. Para muitos, ficar mudando isso é um tormento. Pra mim foi um bom passatempo. Por vários dias aliás. E nesse processo eu vi o quanto de música velha eu escuto. Próximo passo: pegar capa de disco no Google Images. Confesso que achava que não acharia algumas capas, mas me surpreendi. Internet vc acha tudo, mesmo! No iPod, quando toca a música, fica a capinha do disco no visor. Frescura? Talvez, mas achei muito bom.
O Paulinho que trabalha comigo (ele comprou um Touch) colocou dois vídeos (trailers de filme) no meu. Qualidade e som impressionantes. Não imaginava que ficasse empolgado com isso, mas o videozinho no iPod é muito bacana também. Assistir filmes inteiros no iPod? Bem, ainda não cheguei nesse ponto. Por isso acho q os 80gb ainda serão suficientes por muito tempo. Fiquei muito satisfeito. Steve Jobs me convenceu.Achei muito interessante esse artigo, inclusive concordo com ele. Sérgio Dávila foi um dos poucos jornalistas brasileiros que cobriram in loco a última invasão americana no Iraque. A seguir a matéria publicada na "Revista da Folha" desta semana.
O 'complexo de bunda-suja'
por Sérgio Dávila
"E aí, bunda-suja!" Quem assistiu a Madonna no Rio de Janeiro em 1993, durante a turnê "The Girlie Show", lembra do "típico palavrão brasileiro" que algum mané da comitiva local da cantora norte-americana deve ter ensinado antes de a diva entrar no palco -diz a lenda que foi um desavisado dançarino brasileiro, ou pelo menos o próprio andou espalhando essa versão.
A gafe da cantora é o equivalente musical do que fez uma década antes Ronald Reagan (1911-2004), durante jantar em sua homenagem em Brasília, em 1982. A certa altura, o então presidente norte-americano se levantou e propôs um brinde ao "povo da Bolívia". Depois se justificaria dizendo que o país era o próximo de seu périplo pela América Latina -mentira: ele só iria para Colômbia, Costa Rica e Honduras.
Os anos passam, e continuamos os bundas-sujas d’antanho -ou pelo menos mantemos o complexo. Colonizados culturais, a cada ano ou dois recebemos de braços abertos o gringo de ocasião para nos deitar regra. Os do verão 2005-2006 atendem pelos nomes de Mick Jagger e Bono (ou Bono "Vox", na versão Brasil, o único lugar do mundo em que o apelido de adolescência do vocalista do U2 ainda vigora; o que demonstra certa coerência léxico-fonética, uma vez que também somos o único povo que diz "Bãsh" ao se referir ao atual presidente dos EUA, George W. Búúúúúúúúúsh).
Em entrevista à mãe de um de seus filhos, Mick Jagger incorporou Sting na pior fase Raoni e soltou a ladainha de que o mundo tem de salvar a Amazônia, mesmo que isso desagrade os brasileiros. Durante o show do U2, os telões mostravam fotos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vocalista pedia a volta do Fome Zero, um letreiro exortava o fim de esquerda, direita e centro.
Vem cá, essa gente que vem dar contas e miçangas para a indiada daqui -que responde aos mimos com pulinhos, gritinhos de u-rru e mostra a luz do celular- não tem espelho em casa, não? Como o irlandês médio, esse sujeito historicamente equilibrado, reagiria se Gilberto Gil colocasse fotos da rainha Elizabeth durante um show ou pedisse o fim do ex-IRA (atual PIRA)? E por que Mick Jagger não falou das vantagens de transar com camisinha para os adolescentes que o ouviam? Ou justificou a ida do Reino Unido à falaciosa Guerra do Iraque?
O Brasil como quintal do imaginário coletivo não é tema novo. Já rendeu até um interessante documentário, "Olhar Estrangeiro", de Lúcia Murat, concluído no ano passado, que a Rede Sesc-Senac de Televisão (STV) vem exibindo durante este Carnaval. A cineasta analisa mais de duas centenas de filmes não-brasileiros que se passam aqui (supostamente ou não) ou citam o país como destino. O Brasil se sai pior do que o judeu da piada no quesito estereotipagem.
Se você já viu alguma das produções, de "Interlúdio" (1946), de Alfred Hitchcock, ao recentíssimo "Os Produtores" (2005), que por questões cronológicas não está no documentário, passando pelo inimputável "Blame It on Rio" (1984), com Michael Caine e uma jovem Demi Moore, sabe do que Lúcia Murat está falando. Quem já pisou nos EUA e dialogou com os nativos também sentiu na pele o calor da ignorância misturada com admiração pelos motivos errados.
E não é só o tal "americano médio", essa figura que hoje em dia é mais mítica que o "sasquatch", a versão americana do abominável homem das neves. Ouvi recentemente de jornalistas experientes, de grandes veículos norte-americanos, detentores de cobiçadas bolsas, absurdos como o caso do marido de uma delas que estudou espanhol cinco anos porque era apaixonado por bossa nova e queria muito conhecer o país de seus criadores.
Só descobriu a gafe quando avistou o Pão de Açúcar da janelinha do avião.
Quem já não viu um sujeito com uma camiseta preta com um desenho de uma caveira na frente, escrito Iron Maiden?
Pois é. É impressionante como o Iron Maiden continua na lista das bandas mais veneradas do heavy metal (e da música em geral). Por mais que eles não lancem trabalhos como antes, a sensação que dá é que sempre tem um fã novo, ou que os antigos fãs desenterram a camiseta do armário e saem por aí.
Agora estes fãs terão mais um motivo pra mostrar seu amor pelo grupo. Eu achei esse tênis bem feio, assim como acho as camisetas.
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